A violência contra as infâncias é um fenômeno de prevalência crescente em nível mundial, cuja compreensão e abordagem exigem um diálogo fecundo entre as disciplinas sociais e terapêuticas. Enquanto fenômeno histórico, atravessou as diferentes formações sociais desde as origens da civilização. Apesar da renovação dos olhares sobre as infâncias e adolescências e do reconhecimento formal de seus direitos, na época da decadência capitalista o abuso sexual persiste em uma dimensão ainda mais agravada. Esse fenômeno se intensifica como sintoma de uma crise humanitária que envolve as guerras, as privações sociais e o desgarro familiar, como parte de uma tendência à decomposição da organização social e das relações interpessoais no presente. Como desenhar uma terapêutica que produza saúde e reparação diante das vivências traumáticas que a violência inscreve nos corpos das infâncias neste contexto histórico? Que estratégias de abordagem a musicoterapia pode oferecer diante de uma clínica que tende a colidir com o silenciamento familiar, as instituições sociais e as condições de vida estabelecidas? A título de ensaio, o presente trabalho buscará abordar essas questões com o objetivo de fortalecer as perspectivas de intervenção e abrir caminho para novos questionamentos.
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