Musicoterapeuta, Violinista e Assistente Social. Possui Mestrado em Música, Pós-Graduação em Musicoterapia, Graduação em Serviço Social e especializações em Terapia de Descodificação Psicossomática e Estimulação PsicoVibracional
A musicoterapia, enquanto prática clínica fundamentada na experiência sonora, oferece recursos que ultrapassam os limites da linguagem verbal, favorecendo modos singulares de expressão e comunicação. Entre esses recursos, o timbre destaca-se por sua potência expressiva e por sua articulação com a constituição subjetiva do sujeito. Este artigo tem como objetivo refletir sobre o timbre como recurso mediador na musicoterapia com pessoas autistas, considerando sua influência na construção da musicalidade individual, na relação com o corpo e na ampliação das possibilidades comunicativas. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter teórico-clínico, fundamentado em referenciais da musicoterapia e da psicanálise, articulados à análise reflexiva de experiências clínicas realizadas entre 2021 e 2025. A discussão mobiliza conceitos como identidade sonoro-musical, musicalidade clínica, voz, silêncio e lalangue, compreendendo o timbre como operador clínico capaz de favorecer deslocamentos subjetivos. Os resultados indicam que o uso consciente do timbre contribui para o fortalecimento do vínculo terapêutico e para a legitimação de formas não verbais de expressão. Conclui-se que o timbre constitui um recurso clínico relevante na musicoterapia com pessoas autistas, ao sustentar intervenções éticas que respeitam a singularidade.
Referências
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Apontamentos.
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DOI: https://doi.org/10.1038/s41398-018-0287-3