Este trabalho analisa o papel do canto na musicoterapia brasileira, partindo da constatação de que se trata de um elemento central da experiência humana e amplamente utilizado como ferramenta na prática clínica. Para mapear o estado da arte, foi realizado um levantamento sistemático na Revista Brasileira de Musicoterapia, a partir de oito termos relacionados ao canto e à voz, sem restrição temporal. A busca resultou em 28 artigos, dos quais 15 foram considerados mais diretamente pertinentes, abrangendo tanto propostas teóricas como estudos de caso e relatos de experiência com diferentes populações. A análise evidenciou que aproximadamente metade dos trabalhos contribui com algum desenvolvimento teórico-metodológico, seja pela proposição de conceitos, a criação ou adaptação de técnicas e de instrumentos de avaliação. Foram observadas e analisadas também algumas fragilidades metodológicas. Conclui-se que, apesar de existir relativa atenção ao tema, o número de estudos publicados é ainda tímido, especialmente no que se refere a um caráter mais sistemático e analítico. Sugere-se que a construção de um arcabouço teórico-metodológico mais robusto em relação ao canto ajudaria a fortalecer significativamente tanto as práticas clínicas associadas como a musicoterapia brasileira em seu todo.
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